22/10/2014

Uma carta chega ao seu destino

Rio de Janeiro, 29 de agosto de 2014

De: Leila Danziger
Para: Comissão Organizadora do XX Encontro Brasileiro do Campo Freudiano





Apoio:

Agradeço o convite para realizar uma exposição individual no Galpão 5 da Funarte em Belo Horizonte (de 21 de novembro a 21 de dezembro de 2014), inaugurada durante XX Encontro do Campo Freudiano, e apresento um resumo da proposta de trabalho, elaborada em pareceria com Fátima Pinheiro, psicanalista e curadora da mostra, intitulada “O que desaparece, o que resiste”.
Os trabalhos que serão expostos são constituídos por mídias diversas, tais como gravura, livro-de-artista, vídeo e instalação, e orienta-se pelas relações entre a informação, a memória e o esquecimento. A poesia de Paul Celan tem sido um importante eixo norteador das questões poéticas que desenvolvo, valorizando sobretudo seus balbuceios, ruídos, repetições, gagueiras. Meu esforço é atualizar continuamente a língua poética de Celan, retirá-la do contexto dos crimes nazistas que a fez surgir e trazê-la para as nossas grandes e pequenas catástrofes de cada dia.
Um conjunto significativo de trabalhos se constitui a partir do apagamento de jornais impressos de diferentes países.Transcrevo aqui o que escreveu Márcio Seligmann-Silva sobre este trabalho: “Leila Danziger interrompe a temporalidade neurótica dos jornais com seu gesto de apagar jornais e suprimir textos. “Silêncio, por favor!”, ela aparece nos dizer. (...) À iconofilia doentia de nossa era, Danziger opõe uma saudável e bem-vinda iconoclastia. (...) Sua prece é o descamar obsessivo da folha dejornal. Trata-se de um gesto ao mesmo tempo delicado e ritual, repetitivo e violento: a artista fere a página. Retira sua pele. Essa ferida é um meio de materializar a violência que as palavras do jornal encobrem, na mesma medida em que a espetaculariza. (...) À aparência de veracidade das páginas de jornal, a artista opõe o gesto de destruição dessa aparência,que repõe o desejo de uma relação autêntica com o real. Essa relação se dá pela conquista de um espaço de memória. Pois a memória para existir precisa antes conquistar espaço, se livrar da sociedade de consumo, do peso da informação. (...) O trabalho de Danziger é como o destecer noturno de Penélope: ela deslê o jornal com seu gesto de retirar sua camada superficial. Ao invés do império (masculino) da informação, da violência, da “grande” política, ela desfaz o tecido do jornal para o expor como um corpo dissecado. Trata-se de uma poética tanto lúdica como oposta à palavra como bastião do patriarcalismo.”

Bem, por enquanto é isso.
Fico à disposição para mais informações.

Muito obrigada.
Atenciosamente,

Leila Danziger

Equipe da exposição:
  • Henri Kaufmanner (Diretor EBP­MG)
  • Maria Rachel Botrel Lima (Coordenação e Produção)
  • Maria Fátima Pinheiro (Curadoria)
  • Elizabeth Medeiros (Produção)
  • Elaine Maciel Carneiro
  • Júlia de Sena Machado
  • Letícia Soares
  • Libéria Neves
  • Lisley Braun Toniolo
  • Lourenço Astúa de Moraes
  • Margarete Parreira Miranda
  • Mariana Vidigal
  • Renata Mendonça
  • Cristiane de Freitas Cunha