30/10/2014

Sintoma: nos corpos e na cidade – ato analítico e ação lacaniana

Banksy, "Bouquet Grenade" West Bank, Israel, 2009
SEMINÁRIO
21 de novembro de 2014
14h às 17h
Salão Alexandrite

Ana Lúcia Lutterbach Holck

O que poderia, juntamente com o ato analítico tal como Lacan o definiu, ganhar lugar como ação psicanalítica, ou mesmo, ousaria dizer, como ação lacaniana, que pudesse propiciar, deste ato, suas consequências na sociedade? (...) Este é certamente o campo que de agora em diante se abre para nós
Jacques-Alain Miller

Pretendo fazer uma leitura da experiência psicanalítica para pensar as práticas da psicanálise na cidade e, assim, verificar a relação entre o trauma e o ato, bem como suas consequências nas relações entre ato analítico e ação lacaniana na cidade. O eixo para essa investigação seria a função do sintoma, sua relação com o gozo e a invenção do sinthoma
Na perspectiva freudiana, a interpretação do sintoma e seu efeito de produzir sentido acarreta uma infinitização da análise em torno do que não tem conserto, nem nunca terá. Em Lacan, o sintoma encontra seu limite no fora sentido, limite este que produz a redução do gozo a um núcleo que será a matéria prima para a invenção, no final da análise, do sinthoma. O sinthoma é, assim, uma maneira de lidar com o incurável, com aquilo que não tem solução e que não só é ineliminável como também o que há de mais próprio do sujeito, cingindo um gozo que não faz sentido, que não está mais a serviço da satisfação no sofrimento, mas torna-se uma espécie de usina que produz satisfação com as invenções exigidas frente ao que é mesmo incurável. Essa experiência pode ser constatada nos testemunhos de passe, ou seja, no destino dado ao incurável em uma análise e dá lugar à invenção com aquilo que resta.  
Por essa trilha, pretendo extrair da psicanálise pura as ferramentas para a ação lacaniana na cidade, isto é, pensar a prática da psicanálise para enfrentar  os impasses atuais. Ao mesmo tempo, tentar retirar da prática na cidade um saber sobre o que da experiência do troumatisme, como mais de gozar, se inscreve nos novos sintomas, buscando extrair dessa investigação elementos para repensar a experiência psicanalítica que hoje nos orienta.
Será realizada uma divisão em quatro partes: 
  1. A experiência da psicanálise: o trauma – do sintoma ao sinthoma
    Os testemunhos de passe serão, aqui, a referência para pensar essa experiência.
  2. A dança da solidão
    A solidão do sinthoma no fim de análise vai nos servir de referência para tematizar a ação lacaniana na cidade, à medida que, diferente do isolamento, essa solidão é o que nos permite a distância necessária para ler o acontecimento e intervir.
  3. Ação lacaniana
    Investigação sobre os novos sintomas a partir da prática da Orientação Lacaniana em projetos existentes voltados para o tratamento da desordem pulsional, onde há fracasso dos recursos simbólicos, isto é, formas contemporâneas de apresentação da pulsão em nossa época.
  4. Conversação
    Para concluir procuraremos retirar as consequências do trabalho realizado nos itens 1 e 2 e esboçar um relatório sobre a investigação realizada. Para tanto, contaremos com anotações feitas pelos participantes durante o percurso.


Referências
BASSOLS, M. "Soledades y estructuras clínicas". Freudiana. Barcelona: EEP, 1994, n. 12.
LACAN, J. (1964) O Seminário. Os quatro conceitos fundamentais da psicanálise. Livro 11. Rio de Janeiro: Zahar , 1985.
LACAN, J. (1975-1976) O Seminário. O Sinthoma. Livro 23. Rio de Janeiro: Zahar, 2007.
LAURENT, E. Ciudades analíticas. Buenos Aires: Tres Haches, 2004.
LAURENT, E. Blog-notes del sintoma. Buenos Aires: Tres Haches, 2006.
LAURENT, E. Sociedade do sintoma. A psicanálise, hoje. Rio de Janeiro: Contra Capa,2007.
LAURENT, E. Loucuras, sintomas e fantasias na vida cotidiana. Belo Horizonte: Scriptum/EBP, 2011
MILLER, J-A. Iluminações profanas, Curso no departamento de Psicanálise de Paris VIII,  "A orientação lacaniana III, 8, aula 9/11/2005.
MILLER, J-A. El partenaire-síntoma. Los cursos psicoanalíticos de Jacques-Alain Miller. Buenos Aires: Paidós, 2008.
MILLER, J-A. Perspectivas do Seminário 23 de Lacan: o Sinthoma. Rio de Janeiro: Zahar, 2010.
MILLER, J-A. Ler o sintoma, 2012. Disponível em: http://recil.grupolusofona.pt/xmlui/bitstream/handle/10437/4347/ler%20um%20sintoma.pdf?sequence=1
MILLER, J-A. L'inconscient et le corps parlant, abril 2014. Disponível em: 
http://wapol.org/pt/articulos/Template.asp?intTipoPagina=4&intPublicacion=13&intEdicion=9&intIdiomaPublicacion=9&intArticulo=2742&intIdiomaArticulo=5


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