30/10/2014

Por que a violência?

Stanley Kubrick, Laranja Mecânica, 1971
CONFERÊNCIAS DE AMEs
21 de novembro de 2014
14h às 16h
Dayrell Theatre

Francisco Paes Barreto

É possível, no campo aberto por Freud, radicalizado por Lacan e elucidado por Miller, uma leitura do aumento da violência que se verifica no mundo contemporâneo, e com especial intensidade e algumas particularidades, no Brasil.
O ponto de partida será as numerosas contribuições de Freud ao estudo da cultura. A questão pode ser formulada em termos mínimos. Enquanto que, para o Direito, há uma pergunta crucial, Por que um homem chega a tornar-se antissocial?, para a Psicanálise a pergunta é outra, Por que um homem chega a tornar-se social?
Com Lacan, principalmente por meio de seu último ensino, abre-se a possibilidade de examinar as vicissitudes da subjetividade contemporânea, muito diferente da época de Freud. Apagamento da moral sexual civilizada, declínio do pai e do viril, emancipação das mulheres, liberação dos costumes. Contexto que redimensiona os destinos não só das pulsões sexuais como, também, das pulsões de morte.
Miller, por sua vez, além de fazer reverberar o último ensino de Lacan, entre outras contribuições ressalta os impasses de uma época em que o Outro não existe e traz o matema a > I, como o objeto mais-gozar no zênite da cultura e os ideais em queda livre.
São alguns balizamentos que orientarão reflexões na tentativa de responder à pergunta premente e instigadora: Por que a Violência?