30/10/2014

O mal e suas vicissitudes nos corpos e na vida

 Adam & Eva (Der Sündenfall)
Lucas Cranach d. Ä. (1472 Kronach – 1553 Weimar)
Wittenberg, c. 1537 © KHM mit MVK und ÖTM
Kunsthistorisches Museum 
SEMINÁRIO
21 de novembro de 2014
14h  às 20h
Salão Aquamarine

Sandra Grostein

Trata-se de contextualizar e, se possível responder, uma das questões levantadas pela Comissão Científica deste Encontro a partir do eixo temático “O Mal, sua marca nos corpos e a vida”: “Considerando que há modos de gozo que mortificam os corpos, mas que tampouco há vida em corpos apartados do gozo, como a vida pode ainda resistir aos malefícios de certos modos de gozo alojados nos corpos?”
O percurso levará em conta a atualização em psicanálise da discussão sobre a agressividade, a violência e o mal, suas semelhanças e diferenças no âmbito da clínica, visando principalmente a abordar o conceito de gozo desde a perspectiva freudiana da pulsão de morte. Para desenvolver este tema, será conveniente retomar os dois momentos em que Freud teoriza o dualismo pulsional. O primeiro, entre as pulsões do eu ou de autopreservação e as pulsões sexuais, e o segundo, entre a pulsão de vida e a pulsão de morte.
No âmbito da clínica, considerando o conceito de pulsão de morte desenvolvido por Lacan em seu texto de 1948 sobre a “Agressividade em Psicanálise”, há alguns aspectos que podem servir de mote para aprofundar esta discussão. Por exemplo, em sua tese de número III, intitulada “Os impulsos de agressividade decidem sobre as razões que motivam a técnica da análise”, ele diz: “devemos (os analistas) pôr em jogo a agressividade do sujeito a nosso respeito, já que essas intenções, como sabemos, compõem a transferência negativa, que é o nó inaugural do drama analítico”. Jacques-Alain Miller, por sua vez, discute essa tese no contexto de uma conversação clínica em Barcelona, cinquenta anos depois, para diferenciar a transferência negativa em sua função operativa do par amor e ódio e direcioná-la para a vigilância, destacando aquela presente em Lacan relativa aos conceitos e aos pacientes de Freud. Acrescenta que o não, a agressividade e o rechaço à dependência do Outro são o que faz uma análise progredir.
Procurar-se-á apresentar um desenvolvimento de argumentos e conceitos que sustentem que a experiência da psicanálise advinda da transferência negativa e suas consequências no tratamento da agressividade possam balizar um encaminhamento ao gozo mortífero, a partir da oportunidade de substituir a ação pela fala, o ódio pela suspeita. Esta tarefa será feita a partir da retomada de alguns conceitos fundamentais, como o destino pulsional na experiência, apoiando-se no manejo da transferência e, principalmente, da transferência negativa, como a principal estratégia para tratar o mal.


Referências:
FREUD, S. “Os instintos e suas vicissitudes”. In: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud, v. XIV. Rio de Janeiro: Imago, 1974.
LACAN, J. “A agressividade em psicanálise”. In: Escritos. Rio de Janeiro: Zahar, 1998.
LACAN, J. “Uma saída pelo sintoma”. In: O Seminário livro 5: as formações do inconsciente. Rio de Janeiro: Zahar, 1999.
LÉVY, B.-H. Réflexions sur la Guerre, le Mal et la fin de l’Histoire. Paris : Grasset, 2001.
MILLER, J.-A. Cuando el otro es malo... .Buenos Aires: Paidós, 2011.
NICÉAS, C. A. Introdução ao Narcisismo: o amor de si. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2013.
ZIZEK, S.  Violence. New York: Picador, 2008.


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