16/07/2014

Editorial: Os trabalhos e os dias

Este ano, o tradicional dia da Independência do Brasil coincidirá, no âmbito da Escola Brasileira de Psicanálise (EBP) e de sua comunidade de interesse, com a data-limite de envio de textos para a seleção de trabalhos a serem apresentados nas Mesas Simultâneas do XX Encontro Brasileiro do Campo Freudiano. Neste Boletim, publicamos uma lista de referências bibliográficas, baseada em conceitos e noções que considerei cardinais (“Trauma”, “Diferença sexual”, “Sinthoma”, “Violência”) e nos cinco Eixos Temáticos desse evento.
Destaquei, entre essas referências, aquelas que foram importantes para a redação do Argumento e desses Eixos. Que essa lista possa, agora, ser uma ferramenta útil a cada um que deseje, até o próximo dia 7 de setembro, enviar um texto para possível apresentação no XX Encontro Brasileiro do Campo Freudiano e também estimule ainda mais, até novembro, sua preparação em nossas Seções e Delegações.
Já por ocasião desse Encontro, no dia 21 de novembro deste ano, nove Analistas Membros da Escola (AMEs) irão sustentar Seminários e Conferências que recortam e exploram, cada um em seu estilo, diferentes nuances do que intitulamos Trauma nos corpos, violência nas cidades. Certamente, já tivemos outros eventos em que AMEs brasileiros fizeram conferências ou deram Seminários e, com grande frequência, também escutamos suas intervenções em Plenárias ou em Salas Simultâneas. Desta vez, entretanto, me valendo do fato de que a vida cotidiana da EBP se passa, devido à extensão continental do Brasil, em suas Seções e Delegações e de que essa Escola é também mundialmente conhecida pela disposição de seus membros, aderentes e sua comunidade de interesse para se deslocarem dentro e fora do país, pude ter, como Coordenador da Comissão Científica, acolhida a proposta de destinar, durante o XX Encontro Brasileiro, mais horas para a realização de atividades em que pudéssemos escutar e acompanhar elaborações de, digamos assim, “maior fôlego”. Após convites destinados aos AMEs brasileiros, chegamos, então, a seis Seminários e três Conferências, a maior parte dessas atividades a ser realizada simultaneamente. Os inscritos no XX Encontro Brasileiro do Campo Freudiano poderão participar, no próximo dia 21 de novembro e nos horários especificados, de pelo menos uma dessas atividades, mas, como não teremos inscrições prévias para elas, informamos desde já que o número de lugares – a ser preenchido por ordem de chegada – é limitado e variável de acordo com cada sala ou auditório. Neste Boletim, publicamos também os títulos desses Seminários e Conferências, bem como os responsáveis por cada um.
Destaco, ainda, neste Editorial, que Jorge Forbes, também AME e que tem contribuído significativamente com a mídia brasileira para elucidação de questões de grande atualidade e articuláveis ao tema de nosso evento, aceitou com gentileza e animação nosso convite para coordenar uma Conversa, em uma de nossas Plenárias, com Zuenir Ventura, conhecido jornalista brasileiro cujo nome me foi lembrado, pelo próprio Jorge, com base em um texto (“Na Idade das Pedras”) que merece ser lido pelos que se preparam para o XX Encontro Brasileiro do Campo Freudiano. Além de ter redigido esse texto, é oportuno contarmos com Zuenir Ventura entre nós porque ele, entre tantos outros feitos, consagrou a expressão “cidade partida” para designar uma divisão urbana de grande incidência sobre a “violência nas cidades”. Em outra Plenária, teremos Heloísa Buarque de Hollanda, pesquisadora brasileira que, considerando seu inestimável trabalho com a chamada “literatura marginal” e, mais recentemente, ainda com a “Universidade das Quebradas”, também dispensa apresentações e honra nossa Escola ao ter aceito o convite para compor uma espécie de “roda viva” com participantes do XX Encontro Brasileiro.
É sabido que, em Os trabalhos e os dias, Hesíodo – num contraponto ao que fez quanto aos deuses em sua Teogonia – mostrou a organização dos mortais, indicando a origem, as limitações, os deveres e os afazeres fundamentais à “condição humana”. Dando esse mesmo título a este breve e modesto Editorial, almejo fazer um recorte do que, especialmente a partir da Comissão Científica, temos trabalhado para o XX Encontro Brasileiro do Campo Freudiano. Outros recortes já foram realizados, em Boletins anteriores e outros virão, nos próximos, e assim seguiremos. Afinal, cada um de nós experimenta o quanto a vida de nossa Escola não deixa de evocar, dia a dia, as três palavras com que Hesíodo conclui a Primeira Parte de sua “história” da humanidade – “trabalho sobre trabalho trabalha”.
Sérgio Laia
Coordenador da Comissão Científica
XX Encontro Brasileiro do Campo Freudiano