09/06/2014

Ressonâncias I


Ecos de um encontro
Marcia M. Stival Onyszkiewicz

            No dia 31/05, houve o lançamento do quarto volume da revista ALEPH, que tem como título “A violência e a agitação dos corpos”, bem como o início das atividades preparatórias para o Encontro Brasileiro do Campo Freudiano, na Delegação Paraná. Para tanto, contamos com a presença de Fernanda Otoni Brisset e Rômulo Ferreira da Silva, numa instigante conversação acerca da violência e os corpos.
            Destacando as afinidades entre o tema do próximo Encontro Brasileiro e a abordagem da ALEPH, volume 4, Fernanda iniciou um percurso trazendo à tona a distinção entre agressividade e violência. Deste modo, marcou a diferença entre o que se refere ao campo especular, que comporta a presença do outro, daquilo que se inscreve como manifestação que ultrapassa os limites da linguagem e aponta a “brutalidade opaca da vida”. Fazendo menção à atualidade, onde reinam os discursos da ciência e do capitalismo, Fernanda ressaltou as concepções e tratamentos dados à violência, à medida que se considera os contextos social e o analítico. Assim, apostando na presença do analista e no amor de transferência, a psicanálise traz a oferta para que o sujeito fale, a fim de instaurar um desejo que não seja anônimo.
            Frente a tais colocações, Rômulo teceu alguns comentários e ressaltou questões precisas. Salientou duas citações, perguntando se haveria distinção entre uma e outra, quanto ao conceito de violência. Uma citação, de Elisa Alvarenga, que propõe “ pensar a violência como manifestação de gozo que ultrapassa os limites da linguagem” e a outra, de Lacan, diz que “ onde a fala se demite começa o âmbito da violência”. Haveria distinção entre uma forma e outra de abordar a violência? Comentou ainda que tudo virou “bullyng”; a “demissão do pai e dominação da mãe” inviabiliza as brincadeiras, a ponto de destacá-las como formas de violência! Onde fica o humor, hoje? Retomando sua caminhada como AE, Rômulo faz um pequeno depoimento, a partir do que Fernanda desenvolve em seu texto sobre o “ troumatisme” como efeito da ferocidade do significante que faz furo no real. A partir de seu sinthoma,apresenta um fragmento que testemunha a relação entre violência e trauma, para perguntar-se: “ de que se trata este novo amor?”
            Ao retomar, Fernanda destacou a violência como manifestação da pulsão de morte, desde sempre lá, borbulhante, e que encontra tratamento nas trilhas da linguagem. Lembrou que o caldo pode entornar, sair dos trilhos, quando “ não há mais um significante para fritar”, servindo-se de um outra referência em Lacan. Encontrar a satisfação ao falar, via análise, pode vir a produzir amarrações inéditas, uma nova forma de viver a pulsão, abrir porosidades num tempo tão marcado pela inserção dos “direitos humanos”, dos rótulos e dos mecanismos de controle.
            Desta conversação, já surgem as ressonâncias que também ecoam e colocam a trabalho. Portanto, nosso agradecimento pelas valiosas contribuições de Fernanda e Rômulo.