27/06/2014

IV Tarde de trabalhos do CIEN Brasil • Trauma e real: o que as crianças inventam?

        Na época atual, as práticas com crianças e adolescentes tendem a privilegiar a prevenção e o controle, visando evitar acontecimentos “traumáticos”. Dá-se ênfase ao maltrato, abandono e abuso, em que a criança é vítima, deixando-se, em segundo plano, as respostas singulares que cada uma pode constituir face ao real.
        Muitas vezes, o controle dos efeitos produzidos por tais acontecimentos se faz por meio de protocolos e prescrições de condutas previamente estabelecidas, com o intuito de eliminar o mal-estar do vivido. Assim, seja no âmbito do jurídico, da saúde ou da educação, crianças e jovens, restam apagadas pela dimensão do acontecido e sumariamente identificados apenas por diagnósticos.
        Ora, para Lacan, acontecimento externo e trauma são radicalmente distintos. Um acontecimento pode adquirir valor de trauma, mas isso depende da maneira como é subjetivado e da resposta pulsional. Sabe-se que um mesmo acontecimento repercute diferentemente em sujeitos diferentes. Para a psicanálise, no que concerne ao real, não há previsibilidade possível, o que funda para o ser falante a exigência de ter que se virar com a contingência e inventar os laços que o sustentem.
        O CIEN aposta nas invenções singulares que as crianças e adolescentes constituem para responder ao real do gozo. Se a irrupção de um real está atrelada à surpresa, pode-se dizer que a aposta do dispositivo da conversação, nos laboratórios, implica em possibilitar a passagem da surpresa do impasse – ou seja, aquilo que não cessa de não se escrever –, ao encontro com a contingência de uma invenção, que traga a marca do cessa de não se escrever. Neste ponto, é fundamental que os adultos acolham e propiciem as invenções, que tornam possível à criança, uma a uma, um laço com o social.
        A formação do analista faz-se necessária para que o dispositivo da conversação interdisciplinar se constitua em espaço de expressão do desejo e da singularidade, capaz de fazer vacilar saberes e significados impostos pelo discurso do mestre contemporâneo. Assim, a prática interdisciplinar do CIEN pode preservar o furo no simbólico, uma das versões do trauma, sob a forma de um “não saber”, como a boa maneira de se orientar pelo real.
        Na IV tarde do CIEN “Trauma e real: o que as crianças inventam?” esperamos colher “surpresas” de diferentes ordens, que apontam para diferentes formas de considerar o real em jogo.

Eixos temáticos:
  • Do impossível do impasse à contingência da invenção: as invenções das crianças e dos adolescentes;
  • Da surpresa do impasse à surpresa da invenção: as novas leituras das equipes interdisciplinares;
  • A formação do analista e a conversação interdisciplinar;
  • Da normatização à invenção: os impasses contemporâneos.
Envio dos trabalhos: até 20 de setembro, para brasil.cien@gmail.com
Cada comunicação deverá conter até 4000 caracteres (com espaços), em Times new roman, corpo 12.

Informações e inscrições: ipsmmg@institutopsicanalise-mg.com.br e brasil.cien@gmail.com

Valor inscrição: R$40,00

Comissão de Orientação e Coordenação CIEN–Brasil: Nohemí Brown (Coordenadora Geral), Lucíola Macedo, Rodrigo Lyra, Miguel Antunes e Maria do Rosário do Rego Barros.

Comissão Organizadora: Mônica Campos, Miguel Antunes, Lucíola Macedo, Janaína Dornas e Nohemí Brown.