20/05/2014

Ressonâncias: Violência contemporânea será debatida

Luiz Fernando Carrijo
Publicado no Jornal O Estado do Maranhão em 16/05/2014
Atividade, que íntegra a VIII Jornada de Psicanálise da DG-MA, será conduzida pelo médico Luiz Fernando Carrijo, hoje

A Delegação Geral-Maranhão, da Escola Brasileira de Psicanálise, promove a VIII Jornada de Psicanálise, hoje, a partir das 19h, no auditório Expedito Bacelar, na Universidade Ceuma (Renascença II). Em sua conferência de abertura. que será conduzida pelo presidente da EBP e membro da Associação Mundial de Psicanálise, o médico e psicanalista Luiz Fernando Carrijo, serão abordadas questões sobre trauma e violência no mundo contemporâneo.
A conferência cumpre um programa estabelecido dentro da EBP que visa a preparação para o XX Encontro Brasileiro do Campo Freudiano, que acontecerá em novembro, na capital mineira, cujo tema será Trauma nos corpos, Violência nas cidades.
Segundo Carrijo. diferentemente do senso comum.  trauma e violência, para os psicanalistas. não são termos que se superpõem, mas são bastantes distantes um do outro no que diz respeito às suas causas e consequências. "Nessa medida. tentaremos escandir essas diferenças para explorá-las no campo da psicanálise, sem no entanto desconsiderar suas incidências na sociedade contemporânea”, explica.
O médico assevera que se vive num mundo onde a violência dá o tom. Quer seja no nível coletivo ou no nível individual e, isto a tal ponto, que se põe em dúvida se os atos de violência sofridos nesse ou naquele âmbito ainda causam indignação.
As imagens grosseiras da violência passaram a configurar quase corriqueiramente nosso cotidiano; ou seja, estaríamos nos deixando ser absorvidos pela violência e deixando seu caráter disruptivo em segundo plano? Esta é uma pergunta que nos move a nós psicanalistas a tomar este tema com a constatação de que a  violência está inscrita, hoje. pelo que chamamos ‘um sintoma social contemporâneo’ entre outros é claro” ressalta.
Sintoma - Para o psicanalista, torna-se sintoma toda ação humana que se é reiterada e que vai no sentido contrário ao que se espera como equilíbrio. "Um sintoma social está no centro do que Freud postulou em seu conhecido texto O mal estar na civilização. Até o último terço do século XX, tivemos a ocorrência das Grandes Guerras e depois da Guerra Fria como balizadores desse mal-estar. Em nossos dias, um dos balizadores é precisamente a violência generalizada” argumentaria.
Carrijo diz ainda que a violência nas cidades provocou já a algum tempo o que se pode considerar como uma política do medo” em que as pessoas estão sob constante ameaça. “O psicanalista que está em sintonia com a subjetividade da época pode e deve intervir da maneira que lhe é possível no tratamento destes sintomas sociais’ Não se sustenta a ideia do psicanalista enclausurado em seu consultório ou nas instituições que supostamente apoiam sua ação. Fala-se hoje em psicanalista cidadão”, afirma.
Discussões - De acordo como médico, cada vez mais algumas escolas e instituições do Campo Freudiano estão sendo reconhecidas como sendo de utilidade  pública por fomentarem e participarem de programas que visam a contribuição do discurso analítico a abordagem e tratamento desses temas de interesse, a exemplo do que é proposto na VIII Jornada de Psicanálise, que se abrirá espaços para outras discussões.
Amanhã, outras atividades serão desenvolvidas durante a jornada. Às 9h, será realizado o seminário "Do pai que nomeia ao pai que assombra - Uma mudança de perspectiva em Lacan”, na Universidade Dom Bosco (Renascença II). Neste dia também haverá apresentações de trabalhos.
Para participar da programação de amanhã é necessário efetivar inscrição. A taxa para profissionais é de R$90,00 (até hoje) e R$ 100,00 (no local). Estudantes pagam meia em ambos os casos.